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Eu não sei ser feliz.

Mais de um mês sem postar aqui... Poderia justificar com vários motivos, as férias de fim de ano, as viagens que fiz, as visitas que recebi... Mas, mais de uma vez entrei no blog, tentei escrever, só que nada me motivava.
É verdade que não posso reclamar de nada, visto que os meses anteriores, em que me encontrava num profundo e melancólico desespero, acordando todos os dias com a angustiante vontade de morrer, os últimos dois meses foram bem melhores. Vai tudo relativamente bem com meu namoro, estamos aproveitando bastante as férias para viajarmos e ficarmos juntos, mesmo tendo perdido quase dois meses de aula na faculdade, fechei o semestre com a média 7.  É verdade que não posso reclamar, mas, reclamo. E clamo: eu não sei ser feliz. 
Posso ter todos os motivos pra isso, mas não me permito. E lembram dos 10 quilos off que contei pra vocês mês passado? Sinto como se tivesse engordado todos eles de novo.

Eu sei que não deveria ser assim, mas nada me motiva, não sei lidar muito bem com situações boas, como me liberto disso?

Estou deprimidamente bem.

Eu me sinto bem, mas me sinto triste, uma tristeza que não sessa.

Perder um filho é se perder. Me sinto abortada, abortada da vida de todos que eu mais amei, e as consequências? Abortei o que eu mais deveria amar.
Eu sei, não era um filho, não era um bebê, não media mais que 10 cm, mas o que importa o tamanho? O que importa de onde de fato começa a vida? Eu sinto amor. Começou com o amor recíproco entre duas pessoas, uma parte de mim, uma parte dele, e o resultado desse amor foi outra vida.
Pode parecer loucura, mas fiz uma lista de nomes, seria menino ou menina? Qual seria sua música preferida? Será que iria bem na escola? Qual seria sua cor favorita?

Tenho medo desses pensamentos assustarem meu namorado, afinal, ele não me obrigou, o aborto foi uma escolha nossa, em comum acordo, e consciente de que seria o melhor para nossas vidas. Mas mesmo assim, fico triste em pensar que ele não se importa, e eu, só penso nisso.

Eu sinto que seria um menino, e talvez colocaria nele, o nome de um dos meus ídolos do rock... Ou talvez não seria menino. Ou talvez não seria...

Um dia pior que o outro...

Oi gente, quando eu acho que as coisas não podem piorar, não é que a vida se mostra ser pior do que posso esperar?!

Há uma semana minha vida se transformou em um caos: meu namorado terminou comigo, meus pais já sabem da bulimia, dos abusos sexuais; Tentei me matar, tomando uma alta dosagem de medicamentos na quinta passada, passei a sexta no hospital, e dessa vez, sem meu amor por perto, sem me sentir segura, sem o abraço e carinho dele.


Como eu havia dito, sobre a psicóloga, na semana passada não estava em condições de ir á consulta, mas fui ontem, e já de cara abri o jogo, contei tudo...


Eu não me lembro de ter sofrido tanto em todos meus 19 anos de vida...

Desisto de mim. Desisto!

Mais um post chato e deprimente!


Oi meninas, gosto de dar um intervalo de alguns dias entre um post e outro, até porque nunca consigo ser breve e publico sempre textos enormes.
Mas hoje vou quebrar essa regra, e escrever novamente pra vocês.


A Ana Butterfly, do To be a Skinny Girl contou em seu blog um pouco sobre a T.A e a relação dela com a mãe. Quando ela contou que miava ao ponto de a garganta sangrar, eu me lembrei que uma vez, há uns 4 anos atrás, eu senti tanta fome e não queria comer, que me tranquei no banheiro e empurrei a chave na fresta da porta. O desespero foi tão grande, que eu comi papel higiênico. É tão humilhante dizer isso. 
Depois esperei alguém chegar em casa para abrir a porta pra mim, inventei uma história que a chave caiu, empurrei sem querer com o pé e acabei ficando trancada.


Já não consigo passar um dia sem chorar. Eu como chorando, a culpa vem antes, me sinto culpada em sentir fome, me sinto culpada em comer, me sinto culpada em vomitar, sinto muito nojo limpando a privada, nojo de toda a situação, nojo de mim.
Eu não preciso de nenhum motivo para ficar triste, eu simplesmente fico. E mesmo nos dias em que amanheço um pouco mais motivada, leio o sofrimento de vocês em seus blogs e me identifico, me lembro das minhas frustrações, me desespero.


É tão humilhante passar por tudo isso sozinha, ter todas essas lembranças, olhar pro meu corpo e lembrar que já abusaram sexualmente de mim. E quer saber, me sinto culpada por isso também, e sou culpada em não conseguir superar nada disso. Sou culpada por tudo, e uma covarde também.


Odeio ter que ficar escrevendo sobre essas coisas chatas, que não fazem bem, muito menos trazem algo de construtivo pra alguém. Mas essas coisas pesam tanto, que me fazem estar aqui, acordada, ás quase 3 da manhã, me impedindo de dormir, e ás vezes parece que me impedem de viver. 


Vocês já se sentiram mortas? Eu tive essa sensação, no dia que contei aqui que tentei terminar com meu namorado. Teve um instante, que esqueci de tudo, como quando a gente medita: esqueci do sofrimento, do amor, de mim. Me senti como se tivesse dormido, e só voltei á "consciência" quando meu namorado me disse "Respira". Eu não sei explicar a sensação, e nem o que aconteceu exatamente naquele momento, mas parece que eu involuntariamente esqueci de respirar. Eu nunca ouvi ninguém falar que já sentiu isso antes, não acredito em alma, em nada disso, mas a sensação que tenho é essa, de ter me entregado por alguns segundos e ter virado levemente, alma.