É. Não foi fácil. Nunca é fácil. Já na primeira semana eu senti falta da medicação, e logo encontrei uma solução para administrar a falta que ela me fazia: drogas. Eu já tinha experimentado maconha na adolescência, e fumava vez ou outra entre amigos. Mas foi com a cocaína que consegui substitui a risperidona (de uma droga para outra), e ate tentei uma dieta maluca com o uso da cocaína para tentar emagrecer.
Eu nunca fui uma viciada compulsiva, nunca roubei pra sustentar o vicio, nem ficava desesperada em abstinência. Durante a semana - do nada - sentia o "cheiro" da cocaína e ficava com vontade, mas conseguia me controlar e esperar o fim de semana para cheirar.
Foi um ano e meio assim, cheirando nos finais de semana e tentando seguir a vida...
E a vida seguiu...
Descobri que estava gravida, e dali em diante, tudo mudou. Parei de beber, de usar drogas, parei de vomitar preocupada se isso faria algum mal ao bebê. Engordei apenas 7 kg na gravidez, porque consegui manter uma alimentação e hábitos saudáveis.
Fui morar com meu namorado, durante a gestação, na casa dos pais dele e sofri com um tormento chamado SOGRA.
A Clarisse nasceu e é linda, incrivelmente linda, e depois dela, tenho me esforçado para ser alguém melhor, mais forte, menos problemática, e por muito tempo disse que era hora de ter maturidade e superar. Mas choro baixinho durante a noite, porque me sinto fraca por não conseguir.
Engordei horrores depois do parto, apesar de amamentar até hoje, e voltei a comer compulsivamente, a vomitar e estou desesperadamente gorda, reparem na minha mão gordinha.
Eu dezembro do ano passado, fiz minha primeira viagem para a Europa, foi quase uma lua de mel, porque a Clarisse ficou com meus pais. E eu disse SIM em Paris, estamos oficialmente noivos desde então, e nos mudamos em janeiro para uma casa só nossa.
Vivemos super bem, eu e o meu namorido temos planos e sonhos, nossa prioridade é proporcionar o melhor pra nossa filha, estamos sempre em sintonia em relação as decisões familiares, com certeza ela é o centro das nossas vidas.
Mas eu, com essa mania patética de sofrer, me saboto o tempo todo, nunca estou bem comigo, com meu corpo, tenho tido vergonha de sair de casa, porque sinto que nunca estive tao feia.
Preciso de uma dieta emergencial, porque ando muito desmotivada, se eu conseguir perder alguns quilos e sair desse comodismo, sinto que ficarei melhor. Alguém tem alguma dica?
Beijos, Luíza.




