Queridas, vim escrever a continuação do último post...
Onde parei? Ah sim, contei que o "amigo" disse ao meu namorado uma versão chula da história toda...
Minha sogra me ligou, dizendo que meu namorado não havia voltado para casa depois do trabalho, nem ido á faculdade, e seu celular estava fora de área.
Liguei pra um amigo que trabalha com ele, e sim, ele estava com esse amigo, na mais lamentável situação: bêbado, transtornado, despejando em mim todo ódio do mundo.
E os dias que sucederam foram da mesma forma... Ele não me atendia, fui á casa dele e ele não me recebeu. Cheguei ao meu extremo, já estava há mais de 35 horas sem dormir e fiquei sufocada com tudo isso. Tomei 20 comprimidos de Serenus, um calmante... apaguei. Dormi umas 10 horas, quando acordei, não conseguia me levantar, as pernas ficaram dormentes, e eu não tive força, tão pouco equilíbrio para me manter em pé.
Fui levada ao hospital e passei 12 horas em observação.
Eu resolvi contar pra minha mãe das compulsões seguidas de vômito. Ela se surpreendeu, e perguntou o por quê de ter voltado á fazer isso, que ela se lembrava que quando eu era mais nova eu costumava fazer isso "para aparecer"... E aí eu disse que nunca havia parado.
Existiram sim períodos, nesses 5 anos, que eu fiquei 9 meses sem vomitar, outros períodos menos, mas de fato, nunca parei.
Depois desse incidente, e por pressão de todos os lados, meu namorado aceitou encontrar comigo para conversar, rolou beijo, carinho, lágrimas, outras vezes ele demonstrou muita indiferença e raiva dessa situação toda, e foi irredutível, manteve a decisão de terminar o namoro, disse que não confia mais em mim porque eu menti, e que isso não devia ser ignorado, me disse 'eu te amo', e disse que continuaria ao meu lado.
Desde então, eu não o vi mais. Mas tenho tentado uma aproximação. Acho que poderia dissertar melhor dizendo que tenho FORÇADO uma aproximação. Eu ligo todos os dias, fico de vigília no facebook dele, sofrendo se vejo alguma coisa que me remete ciúmes. E isso tem o irritado bastante... Tivemos uma "discussão" semana passada, na quarta-feira, onde eu me senti um fantasma assombrando a vida dele, e fui radical, quebrei meu chip do celular, excluí o facebook, começou a chover, fui pra chuva... Lavar a alma... Entrei em casa direto na cozinha, nessa altura minha ansiedade já predominava violentamente. Comi bolo, peixe, arroz, empurrando tudo com água, comi com a mão, feito um animal. Comi... Comi... Chorei... Vomitei...
Quinta-feira fui á psicologa, como estou em inicio de terapia, ela não me diz nada sobre o que fazer, como agir, ela só me pergunta os sentimentos que sinto e as atitudes que tomo em relação á tudo, acho que primeiro ela precisa traçar um "perfil" psicológico, pra depois me direcionar. Então, por enquanto, não vi resultado ou expectativa de melhora no tratamento, mas estou confiante...Quando cheguei em casa, minha mãe disse que ele havia ligado. Eu não esperava essa atitude dele, achei que ele ficaria feliz se eu sumisse, achei que ele se sentiria aliviado com a minha decisão de me "desconectar" do mundo. Retornei a ligação, e ficamos conversando por mais de uma hora... Ele me disse muita coisa bonita e positiva sobre mim. Disse que não queria deixar de falar comigo, até deu "satisfação", disse que não está saindo com ninguém, nem falando com outras garotas na internet.
Fiquei feliz. Confiante. Otimista.
Mas.... na sexta tive outra crise. E no sábado também. E domingo (ontem) mais outra... O que deixou ele de saco cheio, impaciente, e com um desprezo muito grande por mim. Além disso, minha melhor amiga disse que não passo de uma egoísta que não quer reagir para enfrentar os problemas. E aí, mais uma vez, peguei uns 6 comprimidos de sertralina, e outros 4 de buscopan - era o que eu tinha "acessível" no meu quarto - e os tomei todos juntos no seco, o que me fez sentir descendo pela garganta...
Em seguida, fui até a minha mãe, chorando, e esperando um abraço, um apoio, e ela só conseguiu gritar comigo, me fazendo sentir pior. Comecei a sentir as mãos formigando e as pernas dormentes, eu chorava tanto que contraia muito o diafragma, o que sempre me dá ânsia de vômito. Corri para o banheiro e vomitei. Minha mãe disse que eu não a respeito, que se eu quiro vomitar e acabar comigo aos poucos, é pra eu fazer escondida e sozinha, e repetiu várias vezes que cansou de tentar me ajudar.
Sai andando.
Peguei o celular da minha mãe e sai...
Fui parar em outro bairro, em uma rua sem saída, sozinha.
Liguei pra ele, ele me ouviu, e falou comigo até eu ir pra casa. Mas ele continuou indiferente e irritado, me dizendo que não acredita mais em mim, que eu nunca mudo e nem supero nada, que pareço uma criança mimada.
Pensei sobre isso, e realmente, sentimentalmente pareço uma criança, que se comove com qualquer coisa, que não aceita os "nãos". Mas será que isso não tem a ver com o fato de não ter sido uma criança quando devia? De terem tirado a minha infância...
Em um único final de semana, eu consegui afastar de mim as pessoas que mais gosto, e ouvi de todas elas, que elas não acreditam mais em mim...
Se eles não acreditam, quem dirá eu, não?!